Copa das Confederações – Brasil dá show e manda Itália pra casa

21 de junho de 2009

Brasil e Itália fecharam a última rodada da fase de grupos da Copa das Confederações. O jogo prometia ser duro, pois a Azzurra precisava de resultado para se classificar para a semi-final. No mesmo horário, EUA e Egito se enfrentavam, com o Egito de olho na outra vaga do grupo. Ninguém sequer cogitava os EUA como concorrente para uma das vagas, mas o futebol é realmente um esporte sensacional. O Brasil aplicou um chocolate na Itália de 3 a 0, jogando uma bela partida, a sua melhor desde a estreia na competição. Os EUA venceram o Egito também por 3 x 0, ficando de forma inusitada com o segundo lugar do grupo. As semi-finais da Copa das Confederações estão definidas com Espanha e Estados Unidos na quarta-feira e Brasil e África do Sul na quinta-feira.

Os Estados Unidos venceram apenas uma partida e estão nas semi-finais

Os Estados Unidos venceram apenas uma partida e estão nas semi-finais


Brasil e Itália já se enfrentaram em amistoso esse ano, com vitória brasileira por 2 x 0. Os italianos prometeram partir pra cima do Brasil sem se intimidar. Em entrevistas antes do jogo, os jogadores diziam que se tratava da Itália, que tinham plenas condições de vencer o Brasil e a Espanha em uma eventual semi-final ou final. O mais curioso é que hoje faz exatamente 39 anos da conquista do Tricampeonato brasileiro na Copa do Mundo de 70, quando metemos 4 x1 na final em cima da Itália.

A bola rolou no estádio Loftus Versfeld, em Pretória, com as ensurdecedoras vuvuzelas fazendo o barulho de sempre. A Itália realmente veio com uma formação mais ofensiva, com Iaquinta e Toni auxiliados por Camoranesi e Pirlo no ataque, numa dica de que jogadas aéreas ditariam o tom das investidas italianas. O Brasil entrou com força máxima, com Ramirez, Maicon e André Santos mantidos como titulares do time. Extrema justiça, diga-se de passagem. Não achamos que André Santos possa ser titular da lateral esquerda – pelo menos não ainda -, mas entre ele e Kléber, não temos dúvidas. Já Ramirez e Maicon entraram para aparentemente não sair mais. Os dois dão mais opções e velocidade na armação de jogadas no ataque, mudando a dinâmica de jogo da Seleção Brasileira de uma forma muito positiva.

A esquadra Azzurra jogava compactada, tentando diminuir os espaços no meio-campo, marcando em cima quando o Brasil tinha a posse de bola. O problema é que para isso a zaga de quatro jogadores italianos ficava em linha, o que abria espaços entre eles e o goleiro Buffon para uma entrada rápida pelas costas. E foi exatamente em cima dessa deficiência que o Brasil construiu sua vitória.

O Brasil, que só precisava de um empate para ficar em primeiro lugar do grupo sem depender de resultados, começou tocando a bola, chamando a Itália. Logo aos 2 minutos a Seleção Brasileira começou a abusar dos lançamentos em profundidade por trás da zaga italiana. Luís Fabiano meteu para Maicon, mas o lateral direito estava impedido. A Itália dava sinais de agrassividade e chegava com perigo em bolas cruzadas na área. O Brasil conseguiu um outro bom ataque em velocidade e Ramirez acertou a trave de Buffon, depois de receber grande bola de Luís Fabiano. Tudo isso com apenas 6 minutos de jogo.

A partida estava quente e bastante equilibrada. O Brasil continuava tentando explorar o buraco entre a zaga em linha e a meta italiana, enquanto a Itália marcava duro no meio e tentava sempre alçar bolas para a área tentando aproveitar a altura de Toni e Iaquinta. Aos 22 minutos, Juan sentiu uma fisgada e pediu substituição. Luisão entrou em seu lugar. Aos 27 a Itália teve uma boa chance. A bola sobrou para Camoranesi livre de marcação que chutou com perigo da entrada da área. O chute passou por cima da meta de Júlio César.

Mas os 15 minutos que restavam para acabar a primeira etapa seriam eletrizantes e suficientes para o Brasil matar o jogo. Os jogadores brasileiros ligaram a máquina e partiram com tudo pra cima da Itália. Chutes, escanteios e outra bola na trave ensaiavam o primeiro gol, que finalmente saiu aos 37 depois da intensa pressão. Maicon arriscou um chute e a bola encontrou Luís Fabiano no meio do caminho. O atacante, em posição legal, chutou cruzado no canto de Buffon para abrir o placar.

Jogadores comemoram o primeiro gol do chocolate

Jogadores comemoram o primeiro gol do chocolate


O técnico italiano tratou de mexer no time e tirou Iaquinta para a entrada de Rossi. A Itália foi pra cima e Toni recebeu falta de Lúcio. Pirlo levantou para área brasileira, mas Luisão cortou. Em um contra-ataque fulminante aos 42 minutos o Brasil marcou de novo. Robinho recebeu de Luís Fabiano e puxou o contra-ataque. Kaká se deslocou pela esquerda e os dois fizeram bela tabela. Robinho deixou passar para Luís Fabiano tocar para o fundo do barbante. Segundo gol do Brasil e do Fabuloso. A Itália estava atordoada.
o Fabuloso meteu dois e agora divide artilharia

o Fabuloso meteu dois e agora divide artilharia


O golpe de misericórdia veio dois minutos depois, aos 44, em mais um contra-ataque na velocidade da luz. Em poucos toques a bola estava nos pés de Robinho que partiu quase do meio-campo com extrema velocidade, deixando a defesa italiana na saudade. Ele levantou a cabeça e viu Ramirez entrando livre pela direita. O craque tentou retribuir o passe que recebeu de Ramirez no jogo contra os EUA, mas no meio do caminiho Dossena entrou de carrinho interceptando o passe mas empurrando para o prórpio gol. Gol contra, terceiro do Brasil e terceiro de Luís Fabiano. na Copa das Confederações. Agora ele divide a artilharia da competição com Fernando Torres e David Villa da Espanha. O juiz apitou fim do primeiro tempo e os jogadores italianos foram para os vestiários sem acreditar no que estava acontecendo.
O ataque canarinho funcionou de novo como uma máquina

O ataque canarinho funcionou de novo como uma máquina


O segundo tempo foi bem mais morno. Dunga não fez alterações, enquanto a Itália veio com Pepe no lugar de Montolivo. O Brasil valorizou a posse de bola de forma inteligente no começo da seguinda etapa, mas deu aquela relaxada natural de quem está ganhando fácil, permitindo que a Itália se animasse. Aos 11 o técnico Marcelo Lippi tirou Toni e colocou Gilardino, trocando de vez o ataque pesadão da Itália por um bem mais leve e rápido. Dunga não mexeu e permitiu que os italianos tomassem conta do meio-campo, pressionando o Brasil em busca de seu primeiro gol. Esse lampejo de pressão italiana durou dos 15 aos 30 minutos e mesmo assim Dunga se recusava a substituir.

Eventualmente, os jogadores que estavam em campo se organizaram melhor e sozinhos conseguiram retomar o controle do jogo, mesmo errando muitos passes e com Robinho irritando em jogadas improdutivas. Apenas aos 36 minutos Dunga mexeu e mesmo assim fez uma alteração errada. Tirou Gilberto Silva e colocou Kléberson. Logo depois, aos 40, corrigiu tirando Ramirez e colocando Josué. As alterações foram claramente invertidas, pois Josué faz a função de Gilberto Silva e Kléberson a de Ramirez. Mas já era tarde para a Itália. Em um desses deliciosos revezes do futebol, os EUA metiam 3 no Egito e iam conquistando a vaga, enquanto o Brasil despachava de vez os italianos de volta para Roma, em uma comemoração apropriadada para os 39 anos do nosso tri mundial.

Fique ligado nas semi-finais da Copa das Confederações. Espanha x Estados Unidos na quarta-feira e Brasil e África do Sul na quinta-feira. Todo mundo quer ver uma final entre as melhores seleções da atualidade, Brasil x Espanha. Que venha a África do Sul de Joel Santana. Nós queremos mesmo é atropelar para depois pegar a fúria!

GOLS BRASIL 3X0 ITÁLIA – COPA DAS CONFEDERAÇÕES

FICHA TÉCNICA
BRASIL 3 X 0 ITÁLIA

Estádio: Loftus Versfeld, Pretória (AFS)
Data/hora: 21/6/2009 – 15h30 (de Brasília)
Árbitro: Benito Archundía (MEX)
Auxiliares: Hector Vergara (CAN) e Marvin Torrentera (MEX)

Cartões amarelos: Chiellini, Dossena (ITA).

Cartões vermelhos: Não houve.

GOLS: Luís Fabiano, 36′/1ºT (1-0); Luís Fabiano, 42′/1ºT (2-0); Dossena (contra), 44′/1ºT (3-0).

BRASIL: Julio Cesar, Maicon, Lúcio, Juan (Luisão, 23′/1ºT) e André Santos; Gilberto Silva (Kleberson, 38′/2ºT), Felipe Melo, Ramires (Josué, 40′/2ºT) e Kaká; Robinho e Luís Fabiano. Técnico: Dunga.

ITÁLIA: Buffon, Zambrotta, Cannavaro, Chiellini e Dossena; De Rossi, Montolivo (Pepe, intervalo), Pirlo e Camoranesi; Iaquinta (Rossi, 37′/1ºT) e Luca Toni (Gilardino, 11′/2ºT). Técnico: Marcelo Lippi.

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