Copa das Confederações – Brasil 3 x 0 Estados Unidos

18 de junho de 2009

Brasil e Estados Unidos tem sido tradicionalmente um jogo difícil. Nossa seleção sempre teve dificuldades em transpor a retranca americana e a lógica era que hoje fosse ser um jogo complicado, até pelo que os EUA demonstraram contra a Itália. Um time organizado, que toca bem a bola, se defende bem e parte em contra-ataques velozes. O placar de 3 a 1 para a Itália não representa o que foi a partida. Os EUA jogavam melhor, mesmo tendo um jogador a menos. Só que com dois chutaços de fora da área, a Itália acabou virando a partida no maior sufoco. O terceiro gol foi no finalzinho, com os jogadores americanos visivelmente abatidos pela falta de sorte.

Depois da estreia contra o Egito, a impressão que ficou do Brasil foi a de um time lento, com jogadores cansados. O prognóstico para o jogo contra os EUA não era dos melhores. Mas com o primeiro lugar do grupo sendo importantíssimo, pois evita um confronto com a Espanha logo na semi-final, Dunga resolveu agir. Depois da dificuldade que foi o jogo contra o Egito e de dois dias reclamando sobre o cansaço dos jogadores, o treinador brasileiro mexeu, e bem, na Seleção. Foram quatro novidades com relação à última partida. Saíram Juan, Kléber, Daniel Laves e Elano para a entrada de Miranda, André Santos, Maicon e Ramirez. Dunga tinha duas intenções: dar mais velocidade ao time ao lançar jogadores mais descansados e dar mais força ao ataque, principalmente com Maicon e Ramirez. As alterações surtiram o efeito desejado e o Brasil acabou jogando bem, vencendo com relativa facilidade, com destaque para os mesmos Maicon e Ramirez.

Outros destaques curiosos da partida se deram fora de campo. Primeiro, as cornetas ensurdecedoras da torcida voltaram a figurar como coadjuvantes, tirando a paciência o jogo inteiro. As já conhecidas vuvuzelas serão liberadas na Copa do Mundo, o que já está tirando o sono de locutores e comentaristas. Outro destaque foi a retirada do monitor onde o quarto árbitro acompanhava os jogos. Depois da reclamação enviada à FIFA pela seleção do Egito Os egípcios reclamam que a marcação foi feita através do monitor, o que não consta no regulamento. A FIFA respondeu que quem avisou o juiz foi o assistente (bandeirinha). Para evitar maiores comprometimentos, resolveu retirar os monitores das partidas. Por fim, a preocupação do presidente da FIFA com respeito aos estádios vazios na Copa das Confederações. Para tentar sanar o problema dos lugares vazios, a FIFA abriu os portões de Brasil x EUA depois do início da partida. Em entrevista, Blatter comentou sobre o fato: “Não vamos dar todos os ingressos, não é assim que se faz. Não é o princípio da Fifa doar ingressos, mas também temos o princípio de dar entradas a pessoas que não podem pagar. Solidariedade e flexibilidade.” Já para a Copa do Mundo não haverá esse problema, já que pessoas de todas as partes do mundo prometem invadir a África do Sul, esgotando os ingressos.

Terror dos estadios da África do Sul: as ensurdecedoras cornetas chamadas de Vuvuzelas.

Terror dos estadios da África do Sul: as ensurdecedoras cornetas chamadas de Vuvuzelas.


BRASIL 3 x 0 EUA – COMO FOI O JOGO
Maicon retornou depois de um período contundido, onde Daniel Alves entrou e tem jogado bem. Embora muitos prefiram o jogador do Barcelona, é inegável que Maicon tem uma presença igualmente boa no ataque e na defesa e vem melhorando nos cruzamentos. Prova disso foi o levantamento para o primeiro gol do Brasil e o gol por ele marcado. André Santos foi ligeiramente melhor do que o Kléber. Se não apoiou tanto, pelo menos fechou melhor na defesa. Miranda tabmém foi outro que não comprometeu. A vaga é do Juan, claro, mas o zagueiro mostrou que pode suprir a zaga sem sustos. Já Ramirez caiu como uma luva no meio-campo brasileiro, imprimindo muito mais velocidade do que Elano e participando ativamente na criação de jogadas, dividindo a responsabilidade com Kaká. Participou de todos os gols, sofrendo a falta que originou o primeiro, dando bela assistência para Robinho no segundo e participando de uma veloz triangulação no terceiro. Fundamental.

Por falar em velocidade, o que se viu no início da partida foi um Brasil bem mais veloz do que contra o Egito. Trocas de bola rápidas e metidas em profundidade deixaram os americanos tontos. Logo aos 6 saía o primeiro gol. Ramirez cavou uma falta marota na intermediária direita do ataque. Maicon levantou na área e Felipe Melo apareceu de surpresa para cabecear pro gol. Aliás, essa foi uma jogada ensaiada repetida várias vezes pelo Brasil, sempre com três ou quatro jogadores em linha abrindo espaço para um elemento surpresa na hora da bola parada.

Jogadores comemoram com Maicon o cruzamento para o primeiro gol.

Jogadores comemoram com Maicon o cruzamento para o primeiro gol.


Bem postada em campo, a Seleção Brasileira dava poucos espaços pros Estados Unidos, se fechando bem no meio e na zaga e partindo em velozes contra-ataques. E foi em um desses contra-ataques fulminantes e rápidos que saiu o segundo gol, aos 19 minutos. Altidore dos EUA perdeu infantilmente uma bola depois de escanteio para os EUA. Kaká foi rápido e rolou para Ramirez partir livre de antes do meio-campo. O meia imprimiu impressionante velocidade, levantou a cabeça e vislumbrou Robinho entrando livre pela esquerda. Ele rolou a bola por baixo das canetas do defensor americano e deixou Robinho cara a cara com o goleiro. Com um belo toque no cantinho esquerdo, Robinho marcou o segundo gol brasileiro.
Robinho comemora segundo gol do Brasil, dedicado ao filho Júnior.

Robinho comemora segundo gol do Brasil, dedicado ao filho Júnior.


O Brasil diminui o ritmo. Depois de marcar o segundo, voltou a se acomodar como fez no jogo contra o Egito. Mesmo assim, os EUA estavam nervosos, desbaratinados com os dois gols logo no começo da partida. Não se encontravam e erravam muitos passes, facilitando o trabalho de marcação brasileiro. O jogo estava nas mãos, mas todo cuidado era pouco. O Brasil ainda fez duas ou três boas jogadas, com Kaká e Robinho, mas com finalização equivocada. Fim de um primeiro tempo tranquilo onde o Brasil demonstrou grande superioriadade. A dificuldade tão anunciada contra os EUA estava caindo por terra.

A segunda etapa trouxe mudanças nos EUA, enquanto o Brasil voltou com o mesmo time. Os americanos entraram com mais um atacante, Casey no lugar de Beasley e adiantaram o time, criando mais problemas para a defesa brasileira em 10 minutos do que em toda primeira etapa. Jogadas velozes e tabelinhas deixaram os EUA na cara de Júlio César duas vezes. Parecia que o caldo ia entornar como no jogo contra o Egito.

Mas os deuses do futebol resolveram dar uma forcinha pro Brasil. Aos 11, Kljestan foi expulso depois de entrada dura em Ramirez. O técnico americano foi obrigado a tirar Altidore, um dos atacantes, para colocar mais um meio-campo de marcação, o que frustou o ímpeto de ataque dos EUA. Novamente o Brasil pôde respirar e voltou a dominar a partida, dando o golpe de misericórdia aos 16 minutos.

Em uma bela triangulação entre Maicon, Ramirez e Kaká, o lateral direito marcou o terceiro gol do Brasil. Maicon tocou para Ramirez pela direita e se lançou à frente. Ramirez tocou rápido para Kaká que só rolou para a entrada de Maicon, que chutou prensado com o zagueiro encobrindo o goleiro americano e coroando de vez sua volta ao time. Brasil 3 a 0 nos EUA e agora finalmente a tranquilidade reinava.

Maicon, um dos destaques do jogo, faz o terceiro gol.

Maicon, um dos destaques do jogo, faz o terceiro gol.


Depois do gol, Dunga resolveu mexer no time e poupar algumas peças importantes. Aos 23 Tirou Kaká e Luís Fabiano para as entradas de Júlio Batista e Nilmar. Logo depois, aos 25, tirou Lúcio para a entrada de Luisão.Só aos 37 o jogo voltou a ter um momento de maior emoção. Numa desatenção do sistema defensivo brasileiro, oe EUA entraram tocando pela esquerda e a bola foi rolada para dentro da área. Depois da bomba, a bola explodiu no travessão de Júlio César, que ficou estático. Os deuses da bola continuavam de olho. O problema não era por causa da vitória, essa já estava garantida. O problema real era tomar gol e diminuir o saldo positivo.

A partida terminou mesmo Brasil 3 a 0 EUA e agora a Seleção tem 4 gols de saldo, com 7 gols marcados e 3 sofridos. A Itália, que joga contra o Egito às 15:30h, vai preciar ganhar por uma diferença de 3 gols se quiser jogar pelo empate contra o Brasil na disputa pelo cobiçado primeiro lugar do grupo. Afinal, quem quer pegar a Espanha numa semi-final com cara de final antecipada? Brasil e Itália se enfrentam no domingo, 15:30h, horário de Brasília. Em jogo, o primeiro lugar do Grupo B.

Confira os GOLS de BRASIL 3×0 EUA

FICHA TÉCNICA BRASIL 3 a 0 EUA

Estádio: Loftus Versfeld, em Pretória, África do Sul.
Data: 18/06/2009.
Árbitro: Massimo Busacca (SUI). Auxiliares: Mathias Arnett (SUI) e Francesco Buragina (SUI).
Gols: Felipe Melo, aos sete, e Robinho, aos 20 minutos do primeiro tempo; Maicon, aos 17 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: Onyewu (Estados Unidos)
Cartão vermelho: Kljestan (Estados Unidos)
BRASIL: Julio César, Maicon, Lúcio (Luisão), Miranda e André Santos; Gilberto Silva, Felipe Melo, Ramires, Kaká (Julio Baptista), Robinho; Luís Fabiano (Nilmar). Técnico: Dunga.
EUA: Howard; Spector, Onyewu, DeMerit e Bornstein; Dempsey, Bradley, Kljestan, Beasley (Casey) e Landon Donovan; Altidore (Feilhaber). Técnico: Bob Bradley.

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