Brasil empata com Equador e cai para 4º nas eliminatórias da Copa 2010

30 de março de 2009

A Seleção Brasileira pisou no Estádio Olímpico de Atahualpa, em Quito, com Júlio Cásar, Maicon, Luisão, Lúcio, Marcelo, Gilberto Silva, Felipe Melo, Ronaldinho Gaúcho, Elano, Robinho e Luís Fabiano. O Brasil ocupava a segunda posição nas Eliminatórias Sulamericanas da Copa do Mundo 2010 e uma vitória seria importante, já que o líder Paraguai havia perdido seu jogo contra o Uruguai. Além de encostar definitivamente na liderança, o Brasil abriria vantagem sobre as demais seleções. Já o Equador, precisava da vitória para seguir com chances de classificação. Jogando em casa, na altitude, a promessa era de partir pra cima da Seleção Brasileira. O Brasil empatou em 1 a 1 com o Equador e o resultado foi ruim para as duas seleções.

A partida prometia. Mas apenas uma seleção entrou em campo e infelizmente não foi a nossa. O Equador, jogando de camisa amarela e calção azul, começou a partida com força e dedicação. O Brasil, que jogava com seu uniforme reserva azul, até esboçou nos minutos iniciais uma vontade de marcação. Sob um forte calor e os efeitos da altitude, era de se se esperar que os jogadores brasileiros se poupassem, tentando tocar mais a bola para cadenciar o jogo. Mas não foi bem isso que aconteceu.

A primeira chegada brasileira foi logo aos 3 minutos. Ronaldinho Gaúcho avançou e tocou para Robinho. O craque ajeitou de calcanhar para a entrada de Marcelo pela esquerda. O lateral chutou forte para a defesa de Cevallos, mas o árbitro chileno Carlos Chandía não deu o escanteio.

A impressão era das melhores. Parecia que mesmo no ar rarefeito da altitude, o Brasil teria gás para jogar bem contra o Equador. Os jogadores brasileiros estavam aplicados na marcação. Até Robinho e Ronaldinho Gaúcho voltavam para auxiliar Gilberto Silva e Felipe Melo no meio campo. Mas a boa impressão começou a se desfazer logo aos 8 minutos. Júlio César começou a salvar o Brasil com uma boa defesa em chute de fora da área. O Equador começava a cumprir a promessa de partir pra cima e passou a ocupar a intermediária brasileira. Aos 13 minutos Gilberto Silva cometeu falta. Mendes cobrou, Júlio César fez boa defesa e Guerron fulminou na pequena para a sensacional defesa do goleiro do Brasil. A Orientação era chutar de onde desse, já que com menos resistência do ar, a velocidade da bola era bem maior, dificultando a vida do goleiro.


O Brasil errava passes e não conseguia chegar ao ataque, dando ao Equador a chance de assumir de vez a partida. A posse de bola passou a ser da seleção equatoriana, que não saía do campo de ataque, pressionando cada vez mais. Aos 19 minutos, Maicon sentiu uma fisgada na coxa e foi substituído por Daniel Alves. O lateral não joga a partida contra o Peru, no quarta.
Maicon não joga no Brasil x Peru, quarta-feira em Porto Alegre

Maicon não joga no Brasil x Peru, quarta-feira em Porto Alegre


Enquanto isso, o Equador intensificava o sufoco e o gol parecia uma questão de tempo. Aos 21 minutos Valencia acertou o travessão de Júlio César, que dessa vez nem esboçou reação e contou com a sorte. O Brasil assistia o Equador tocar a bola. A todo momento os jogadores equatorianos apareciam livres de marcação na intermediária brasileira, fazendo o que bem entendiam. Se tivessem uma melhor pontaria, já deveriam estar ganhando por no mínimo 2 a 0.

O domínio do Equador era tanto que a primeira falta deles só aconteceu aos 28 minutos! Era uma boa chance para o Brasil, que não conseguia nem ameaçar a meta equatoriana. Ronaldinho Gaúcho foi para a cobrança, mas a expectativa logo se frustrou quando o camisa 10 brasileiro chutou na barreira. O Brasil só chegaria novamente ao gol de Cevallos aos 42 minutos, numa das únicas jogadas de ataque do time. Robinho tabelou com Luís Fabiano mas chutou fraco.

Era de se esperar que já que não atacava, o Brasil pelo menos se defenderia bem. Mas o Equador deitava e rolava. O atacante Benitez, de apenas 1,69m, subia no meio de Lúcio e Luisão e conseguia cabeçear com perigo. Elano, visivelmente cansado, errou bizonhamente um passe perto da área do Brasil e deixou Guerron na cara de Júlio César. Dessa, vez, Luisão travou o chute e salvou o gol. Depois o mesmo Elano levou amarelo depois de agarrar o rápido Guerron.

Há muito tempo não se via uma seleção sufocar tanto a outra, ainda mais quando falamos do Equador sufocando o Brasil. Um absurdo completo. Júlio César comentou no intervalo: “O importante é que não tomamos gol”. Robinho também falou: “Na altitude é difícil, mas temos que tocar melhor a bola, estamos errando muitos passes”. Os jogadores brasileiros enxergavam claramente as deficiências do time, parecia que a conversa no vestiário seria produtiva.

Ronaldinho Gaúcho e Luís Fabiano ao final do primeiro tempo: muito cansaço e nenhuma produtividade

Ronaldinho Gaúcho e Luís Fabiano ao final do primeiro tempo: muito cansaço e nenhuma produtividade


O Brasil voltou sem alterações na linha, então o que se esperava era uma mudança na postura dos jogadores. Mas com apenas 5 minutos do segundo tempo já era claro que veríamos uma repetição da primeira etapa. Com uma cabeçada seguida de um perigoso chute aos 6 minutos, o Equador dava mostras de que continuaria o massacre, sem tomar conhecimento do Brasil.

Aos 12, essa total falta de respeito chegou ao ápice. Em uma jogada com direito a toque de calcanhar no meio campo e dribles desconcertantes, o Equador chegou de novo com perigo, obrigando Júlio César a continuar trabalhando muito para salvar o Brasil de um vexame. Só chegamos até a meta equatoriana aos 15 minutos, quando Ronaldinho gaúcho e Robinho fizeram boa jogada, deixando Luís Fabiano em condições de concluir. Cevallos fez boa defesa.

As raríssimas jogadas brasileiras saíram dos pés de Robinho

As raríssimas jogadas brasileiras saíram dos pés de Robinho


Mas era muito pouco. Dunga continuava sem mexer no time, parecia estar perplexo com o que via, mais perdido do que cego em tiroteio. Júlio César continuava sendo o salvador, defendendo de tudo que era jeito. Era incrível como o placar ainda marcava 0 a 0 com o volume de jogo do Equador. Ver o Brasil sendo massacrado pelo Equador, mesmo com a desculpa da altitude, não é normal. Não é possível.

Depois de mais um milagre de Júlio César, que defendeu um chute à queima roupa de Caicedo quase na pequena área, Dunga resolveu mexer, com todo seu brilhantismo. Trocou Elano, um homem de armação, pelo cabeça de área Josué, quando todos clamavam por Alexandre Pato. Ele poderia ter pelo menos tirado o Gilberto Silva, que foi apenas para assistir ao jogo. O Brasil, que já não atacava, tinha agora três cabeças de área e continuava sem se defender.

Mas a sorte, por mais incrível que pareça, queria sorrir para a Seleção Brasileira. Dunga fez sua última substituição aos 25 minutos. De novo, uma substituição covarde e criticada, tirando Ronaldinho Gaúcho e colocando Júlio Batista. Não que Ronaldinho não merecesse sair, ele poderia ter sido substituído por Pato (assim como Elano) e Robinho ocuparia seu lugar no meio, mas o problema é que Dunga estava acuado e mostrava isso. Mesmo assim, Júlio Batista fez valer a máxima do futebol de “quem não faz leva”. O castigo para o Equador veio aos 27 minutos, quando Robinho fez boa jogada e serviu o jogador que tinha acabado de entrar. Em seu primeiro e único chute, Júlio Batista acertou a trave, as costas de Cevallos e as redes. Um gol suado numa partida sofrida.

Júlio Batista comemora o gol contra o Equador - sorte

Júlio Batista comemora o gol contra o Equador - sorte


O gol do Brasil desestabilizou o Equador, era a chance de manter a posse de bola, acalmar o jogo. Os equatorianos passaram a cometer faltas, mostrando o nervosismo. Mas nem assim o Brasil conseguiu tomar as rédeas da partida. Voltou a ceder a posse de bola e passou a parar o Equador com falta atrás de falta. Depois de várias cometidas, Daniel Alves levou um amarelo. Até Luís Fabiano voltou para ajudar no rodízio de infrações, cometendo falta infantil na entrada da área. Júlio César defendeu mais uma.

Só aos 40 minutos o Brasil esboçou alguma lucidez. Conseguiu segurar a bola no campo equatoriano e após boa jogada de Robinho, Luís Fabiano recebeu em condições de ampliar. Bateu em cima de Cevallos, que deu rebote. O próprio Luís Fabiano aproveitou e carimbou a trave e como fosse pura ironia, no contra-ataque o Equador empatou a partida. Em belíssma jogada de Mendes, Benítez emendou para o gol e Júlio César operou mais um milagre na pequena área, só que no rebote não teve como impedir Noboa de tocar para o fundo da rede, selando o empate. Aos 46 minutos o Brasil ainda sofreu mais um susto depois de um escanteio, mas o mesmo Noboa, completamente livre, não conseguiu dominar a bola, que sobrou para a defesa de Júlio César.

Para muitos o empate teve gosto amargo, mas não podemos esquecer que o resultado justo seria uma goleada do Equador e consequente vexame brasileiro. Júlio César foi o melhor jogador do Brasil, fez uma daquelas partidas inesquecíveis, salvando a seleção. O goleiro foi o melhor em campo também e mostrou que está em exuberante fase, merecendo a camisa de titular da seleção. O resto do time se apoia na desculpa da altitude, que embora seja realmente um diferencial, não foi o único problema. Os jogadores simplesmente não cumpriram o que foi treinado na Granja Comary. Dunga pode até amenizar a péssima atuação com aqueles discursinhos politicamente corretos, mas na concentração tem que ser duro com os jogadores e mostrar comando. O que se viu foi vergonhoso, uma das piores atuações da história da Seleção Brasileira que só não vai ficar marcada por causa do enganoso empate. Repetimos mais uma vez: o resultado mais justo seria uma goleada do Equador.

Júlio César fez milagre para salvar o Brasil de um vexame

Júlio César fez milagre para salvar o Brasil de um vexame


Com o resultado o Brasil caiu para 4º colocado nas eliminatórias, atrás de Paraguai com 23 pontos, Argentina com 19 e Chile com 19 (menos saldo de gols que a Argentina). O Brasil tem 18 pontos e agora tem obrigação de vencer o Peru, último colocado das eliminatórias com apenas 7 pontos. Mas o Brasil também tinha obrigação de vencer a fraquíssima Bolívia e empatou em pleno Engenhão. E depois empatou novamente com a Colômbia, em pleno Maracanã. Tudo bem, é uma seleção mais razoável, mas jogávamos em casa. O Brasil tem sempre obrigação de ganhar, sempre tem que entrar como favorito em qualquer lugar do mundo, quanto mais em casa. Então o que esperar de Brasil e Peru quarta-feira no Beira Rio às 21:50 horas? Com a inacreditável irregularidade da seleção de Dunga, temos até medo de arriscar um palpite.
Dunga deixa o jogo abatido. O treinador terá muito trabalho para o jogo contra o Peru.

Dunga deixa o jogo abatido. O treinador terá muito trabalho para o jogo contra o Peru.


FICHA TÉCNICA:
EQUADOR 1 X 1 BRASIL
Estádio: Olímpico Atahualpa, Quito (EQU)
Data/hora: 29/03/2009 – 18h (de Brasília)
Árbitro: Carlos Chandía (CHI)
Auxiliares: Lorenzo Acuña (CHI) e Sergio Román (CHI)
Cartões amarelos: Ayoví (EQU); Elano, Gilberto Silva, Marcelo, Daniel Alves (BRA)
Cartões vermelhos: Não houve
GOLS: Júlio Baptista, 27’/2ºT (0-1); Noboa, 43’/2ºT (1-1)
EQUADOR: Cevallos, Reasco, Hurtado, Espinoza e Ayoví; Castillo, Valencia, Guerrón (Noboa, 29’/2ºT) e Méndez; Caicedo (Palacios, 46’/2ºT) e Benítez. Técnico: Sixto Vizuete.
BRASIL: Júlio César, Maicon (Daniel Alves, 23’/1ºT), Lúcio, Luisão e Marcelo; Gilberto Silva, Felipe Melo, Ronaldinho Gaúcho (Júlio Baptista, 25’/2ºT), Elano (Josué, 16’/2ºT) e Robinho; Luís Fabiano. Técnico: Dunga.

Assista aos gols de Brasil e Equador

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