Brasil vence África do Sul e está na final da Copa das Confederações

25 de junho de 2009

O Brasil jogou a semi-final da Copa das Confederações contra a África do Sul de Joel Santana. Os donos da casa estavam animados e a torcida lotou o estádio Ellis Park para ver a partida. A esperança estava presente no ar, principalmente após o resultado de ontem, onde os EUA derrotaram a Espanha numa zebra histórica. Mas depois que a bola rolou, a festa foi mesmo canarinha. O Brasil venceu a África do Sul por 1 a 0 e está na final da Copa das Confederações. Foi um jogo difícil, com uma África do Sul muito retrancada. O Brasil não entrou de salto alto como a Espanha ontem, jogou sério, mas sofreu para vencer e chegar à final. Daniel Alves fez o gol de falta aos 42 do segundo tempo.

Jogadores comemoram gol salvador de Daniel Alves

Jogadores comemoram gol salvador de Daniel Alves


O mundo todo esperava uma final entre Brasil e Espanha, mas a Fúria deu vexame e perdeu para os Estados Unidos na outra semi-final da competição. Os americanos começaram mal o torneio, perdendo para a Itália e para o próprio Brasil, mas venceram o Egito mesmo desacreditados e com uma forcinha do Brasil, que venceu a Itália por 3 a 0, chegaram na semi-final. A Espanha tinha 3 anos de invencibilidade, exatamente 35 jogos sem perder, mas sucumbiu perante a correria e marcação dos americanos, que deram o sangue no campo.

Futebol é um esporte imprevisível, e por isso mesmo emocionante e apaixonante. Mas quando o Brasil entrou em campo para jogar contra a África do Sul, ninguém queria uma repetição da zebra de ontem. Pelo menos ninguém brasileiro, claro. O resto do mundo estava torcendo mesmo é para os Bafana Bafana, donos da casa. Escalado com Júlio César, Maicon, Lúcio, Luisão e André Santos, Gilberto Silva, Felipe Melo, Ramires e Kaká, Robinho e Luís Fabiano, o Brasil começou a partida com a mesma escalação do jogo contra a Itália, quando deu um show de bola, mas não conseguiu dar outro espetáculo.

Joel Santana manteve sua fama e tradição de retranqueiro e colocou a África do Sul pra marcar acirradamente o Brasil. Os jogadores brasieleiros estavam com excesso de cautela, sem arriscar muito, talvez por uma orientação de Dunga que temia que se repetisse o que aconteceu contra a Espanha. Ninguém queria errar, mas esse excesso de cuidado juntamente com a retranca da África do Sul tirou o ímpeto que o Brasil teve nas partidas anteriores, de se lançar com tudo ao ataque com velocidade.

Joel colocou a África do Sul na retranca total

Joel colocou a África do Sul na retranca total


Só aos 12 minutos saiu o primeiro chute brasileiro. Ramires arriscou de fora da área para boa defesa do goleiro. Logo depois, André Santos entrou com o pé mole em uma dividida e permitiu que o atacante sul-africano ficasse com a bola, arriscando perigoso chute contra a meta de Julio César. A partida continuava presa, sem muitas opções de ataque. Maicon estava sendo vigiado de perto pela marcação e não podia subir muito, matando o lado mais produtivo do ataque brasileiro. Saindo pela esquerda, o Brasil mostrou que é mais fraco, sendo um setor que vai precisar de um trabalho melhor, principalmente na escalação de um lateral esquerdo que apoie com mais qualidade. André Santos foi mais exigodo que nas outras partidas e não correspondeu à altura, nem no apoio nem na marcação.

Aos 21 minutos a melhor chance da África do Sul. Falta batida para área e Lúcio deixou Mokoena subir nas suas costas, dentro da pequena área. Por sorte o sul-africano cabeçeou pra fora, perdendo o gol. Aos 28, o time de Joel Santana voltou a ameaçar. Luisão fez falta na entrada da área e Tshbalala cobrou forte para boa defesa de Júlio César, que colocou pra escanteio.

Só a partir dos 30 o Brasil começou a melhorar na partida. Aos 31 Kaká deu bela arrancada e tocou para Ramires dentro da área, mas o passe saiu um pouco atrás e ele não conseguiu dominar para chutar. Logo depois, Robinho recebeu na cara do goleiro, mas estava impedido. O time continuava preso na marcação da África do Sul, que congestionava o meio-campo e a entrada da área e prendia as investidas de Maicon pela direita. André Santos era a única possibilidade de saída e o lateral deu um belo chute aos 33, mas o goleiro Khune pegou firme. Aos 36, outra bela jogada de Kaká. Driblou o marcador e bateu com perigo da entrada da área, visando o ângulo do gol. A bola saiu em tiro de meta.

O jogo continuava duro, mas o Brasil melhorava e chegava mais. Aos 41 Kaká de novo. Contra-ataque rápido finalmente e o camisa 10 brasileiro invadiu a área chutando rasteiro no cantinho direito para a boa defesa de Khune. Logo no ataque seguinte foi a vez do camisa 10 sul-africano, Pienaar, arriscar um potente chute de fora da área. Júlio César voou nela e raspou com a pontinha de dedo. Era escanteio mas o juiz não viu. Aos 44 Masilela ainda levou um amarelo por falta em André Santos e foi só. Fim do primeiro tempo.

Kaká e Pienaar, os dois camisa 10

Kaká e Pienaar, os dois camisa 10


A motivação é um poderoso ingrediente. Diante de sua torcida e contra o melhor time do mundo, os sul-africanos faziam a sua melhor partida na Copa das Confederações. O Brasil como sempre sofria com a retranca, o time de Dunga ainda se enrola quando um time fica todo na defesa, congestionando meio e entrada da área. Lembranças nada agradáveis de Brasil 0x0 Colômbia, Brasil 0x0 Bolívia e outros jogos difíceis contra seleções mais fracas vinham à mente, mas nos 15 minutos finais da primeira etapa a seleção começou a se soltar mais, dando um alento maior. A Seleção cresceu e dominou, chegando mais ao ataque e criando algumas oportunidades. Kaká foi o melhor, seguido de Ramires. Os dois foram os jogadores mais perigosos do Brasil. Como Maicon ficou muito marcado, subiu pouco. A lateral esquerda seria o desafogo, mas André Santos, mesmo com certa liberdade, não desenvolveu o que poderia. Arriscou até um bom chute, mas apoiou com pouca eficiência e falhou algumas vezes na marcação.

O segundo tempo começou e aquela esperança do Brasil intensificar os últimos bons 15 minutos do primeiro tempo não se consolidou. Na verdade, aos 12 minutos a África do Sul estava melhor na partida e na pressão quase chegou ao primeiro gol. Um chute de fora da área que desviou Em Luisão quase pega Júlio César no contra-pé. O goleiro voltou a tempo e fez linda defesa. O jogo ficava estranho e a torcida enlouquecia no estádio. Estava na hora do Brasil reaparecer.

A torcida sul-africana estava enlouquecida

A torcida sul-africana estava enlouquecida


Em duas boas jogadas, aos 15 e 17 minutos, o Brasil voltou a chegar com mais perigo. Luís Fabiano chutou para a defesa do goleiro e depois Robinho deu um bonito voleio para fora. Mas ficou nisso. Joel Santana corrigiu ainda mais a marcação sul-africana e nem a lateral esquerda tinha mais liberdade. Pode parecer exagero, mas não tiveram mais chances de gol de ambos os lados.

Dunga demorava a mexer, o jogo ficava mais esquisito ainda. A impressão que dava é de que o Brasil respeitava demais a África do Sul. Tudo bem que a eliminação da Espanha serviu de exemplo, mas a Seleção Brasileira demonstrava um excesso de zelo. Tinha que agredir mais, ter mais velociadade na saída de bola, mas nada disso acontecia.

Só aos 36 minutos Dunga mexeu, numa substituição que surpreendeu a todos. Ele tirou o lateral esquerdo André Santos e colocou o lateral direito Daniel Alves. E que estrela! Aos 41 Ramires sofreu falta na entrada da área sul-africana. Era a bola do jogo. Daniel Alves foi para a cobrança e aos 42 minutos do segundo tempo meteu na gaveta de Khune. Brasil 1 a 0África do Sul em um chute indefensável. Que sufoco! Dunga ainda tirou Luís Fabiano e colocou Kléberson, para fechar ainda mais o meio. Final de jogo e uma vitória suada.

Daniel Alves explode na comemoração do gol

Daniel Alves explode na comemoração do gol


Não dá pra dizer que o Brasil jogou mal. Também não dá pra dizer que jogou bem. Foi uma partida atípica, que sofreu muitas influências externas. Medo do salto alto, excesso de respeito, torcida contra, adversários motivados. Assim, fica difícil criticar os jogadores como um todo dentro de campo. Felipe Melo foi o pior, jogou mal, errou muitos passes e comprometeu várias saídas de bola. Mas o resto ficou na média. Kaká e Ramires até se destacaram no primeiro tempo, mas também ficaram nessa média no segundo tempo. Em resumo, os problemas foram mesmo uma África do Sul ultra-retrancada e o medo do que aconteceu contra a Espanha, o que fez com que o Brasil entrasse respeitando por demais os donos da casa.
Felipe Melo foi o pior em campo. Troféu perna-de-pau pra ele!

Felipe Melo foi o pior em campo. Troféu perna-de-pau pra ele!


Mas vencemos e agora a final da Copa das Confederações é Brasil e Estados Unidos, domingo às 15:30h. Teoricamente, um jogo bem mais fácil do que seria contra a Espanha e por isso mesmo mais perigoso. O Brasil agora tem a obrigação e pressão de vencer. Acabamos de dar um sacode nos americanos, que perderam por 3 a 0 sem ver bola. Mas eles cresceram dentro da competição no momento certo e depois da vitória contra os espanhóis, passaram a ter mais confiança ainda. Nada é impossível no futebol, por isso todo cuidado é pouco, mas o Brasil é franco favorito para ser campeão e levantar mais uma Copa das Confederações.

GOL DE DANIEL ALVES BRASIL 1 X 0 ÁFRICA DO SUL


FICHA TÉCNICA BRASIL 1 X 0 ÁFRICA DO SUL

Estádio: Ellis Park, Johanesburgo (AFS)
Data/hora: 25/6/2009 – 15h30 (de Brasília)
Árbitro: Massimo Busacca (SUI)
Auxiliares: Matthias Arnet (SUI) e Francesco Buragina (SUI)
Cartões amarelos: Masilela (AFS); Felipe Melo, André Santos, Daniel Alves (BRA)
Cartões vermelhos: Não houve
GOLS: Daniel Alves, 41’/2ºT

ÁFRICA DO SUL: Khune, Gaxa, Mokoena, Booth e Masilela; Dikgacoi, Mhlongo, Pienaar (Van Heerden, 47’/2ºT) e Tshabalala (Mashego, 46’/2ºT); Modise (Mphela, 46’/2ºT) e Parker. Técnico: Joel Santana.

BRASIL: Julio César, Maicon, Lúcio, Luisão e André Santos (Daniel Alves, 36’/2ºT); Felipe Melo, Gilberto Silva, Ramires e Kaká; Robinho e Luis Fabiano (Kleberson, 46’/2ºT). Técnico: Dunga.

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1 Comentário

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  1. Luxemburgo
    jun 25 at 19:37

    O Galvão eu acho que a equipe da áfrica jogou very well !

    E que o Brasil só tá sofrendo porque o Zagallo não chamou o Ronaldo!

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