Brasil 3×0 Peru – Seleção mais perto da Copa do Mundo 2010

2 de abril de 2009

Brasil x Peru. Todos esperavam uma redenção brasileira, depois da péssima atuação contra o Equador. O clima era de pura festa, ainda mais depois do resultado de Bolívia e Argentina. Los Hermanos tomaram de 6 dos bolivianos, num mico histórico. A Argentina só havia perdido por esse placar para a Tchecoslováquia na Copa de 1958. Agora, sob o comando de Maradona, foi esculhambada na altitude de La Paz. Mas assim como Equador x Brasil, não dá pra botar a culpa só na altitude. Atrapalha, vá lá, mas tomar de 6 x 1 de uma seleção medíocre como a da Bolívia, é muita vergonha. Repetindo, para não haver mais dúvidas: Bolívia 6×1 Argentina.

Bem, vamos voltar ao que interessa, que é a Seleção Brasileira. Os torcedores que compareceram podiam ter voltado pra casa mais felizes. O Brasil venceu, mas não deu o tão esperado show. Com dois gols de Luís Fabiano e um de Felipe Melo, a seleção retomou o segundo lugar na tabela de classificação das Eliminatórias da Copa 2010 e está mais perto do líder Paraguai, que tem 3 pontos a mais.

O Brasil entrou em campo escalado com Júlio César, Daniel Alves, Lúcio, Luisão e Kléber, Gilberto Silva, Felipe Melo, Kaká e Elano, Robinho e Luís Fabiano. Marcelo sentiu a coxa e ficou de fora da partida, com Kléber entrando como titular. O Brasil acabou perdendo seus dois laterais titulares e jogou com os dois reservas. Como já era esperado, Ronaldinho Gaúcho ficou no banco de reservas por causa da volta de Kaká. Dunga não quis escalar os dois meias juntos. Na cabeça do treinador, eles fazem a mesma função, daí a opção de manter Elano. Além disso, o técnico argumentou que Ronaldinho estava desgastado por causa da partida contra o Equador e Kaká ainda não estava 100%. Seriam duas substituições certas.

Bola rolando e o Peru caiu na defesa, como já era esperado. Com Alexandre Pato, Ronaldinho Gaúcho, Júlio Batisita e Adriano doidos por uma chance, era bom os titulares mostrarem serviço e furar o bloqueio peruano. A torcida empurrava o time e logo aos 4 minutos Luís Fabiano Recebeu na área e fez o gol. Mas o auxiliar levantou a bandeira, marcando impedimento do atacante.

O placar continuava 0 a 0 e o Brasil mostrava vontade, acuando o Peru em seu campo defensivo. Aos 7 minutos Luís Fabiano recebeu nova bola na área, agora em posição legal, mas acabou perdendo o ângulo e o chute passou rente a linha do gol, sem ninguém para concluir. Logo depois, problema: Luisão sentiu uma fisgada na coxa (de novo a danada da coxa, que tirou Maicon, Marcelo e Anderson de combate). Miranda entrou, fazendo sua estreia na Seleção e obrigando Dunga a queimar uma substituição.

O Brasil insistia, mas o Peru se segurava tentando marcar forte os jogadores brasileiros, até que aos 16 minutos a retranca peruana começou a ser desmontada. Kaká fez boa movimentação e recebeu belo passe em profundidade de Daniel Alves, sendo derrubado na grande área. Pênalti que Luís Fabiano cobrou com perfeição, inaugurando o marcador no Beira Rio. Era o fim de 331 minutos sem gols da Seleção em casa.

Primeiro gol do Brasil - comemoração dos jogadores

Primeiro gol do Brasil - comemoração dos jogadores



O Brasil começava a se sentir a vontade, com Robinho arriscando as primeiras pedaladas. O Peru continuava sem ameaçar a meta de Júlio César, que tinha um descanço merecido depois do bombardeio que sofreu contra o Equador. Na verdade, a seleção peruana não passava nem do meio campo. O Brasil tinha total domínio da partida e só faltava ampliar.

Aos 25 minutos, o ataque brasileiro voltou a se movimentar bem e Luís Fabiano lançou Robinho, mas o rei das pedaladas estava impedido. Logo depois, foi a vez do próprio Luís Fabiano receber maravilhosa assistência de Daniel Alves. O Fabuloso matou no peito e bateu no canto de Butrón. O atacante estava impedido, mas o lance foi rápido e difícil para o bandeirinha, que deixou seguir. Como não tem nada a ver com isso, Luís Fabiano fez o segundo dele e do Brasil. Era o fim de outro tabu, o de só ganhar de 1 a 0 do Peru em jogos válidos pelas Eliminatórias.

Luís Fabiano comemora segundo gol dele e do Brasil

Luís Fabiano comemora segundo gol dele e do Brasil


Kaká quase marcou o dele, em um belíssimo lance. O meio campo pegou um cruzamento de primeira, num lindo voleio que passou por cima da trave. Daí pra frente, o ataque brasileiro começou a forçar as jogadas e a errar muitos passes. Dunga se irritou, queria mais toque de bola para que as jogadas saíssem melhor trabalhadas. O treinador chegou a chutar uma garrafa de água tamanha irritação. O torcedor acompanhou a irritação e começou a pedir Pato. Elano ainda teve uma chance no último lance do primeiro tempo, mas Butrón fez boa defesa. Intervalo de jogo.

Depois da fraca atuação em Quito (com a desculpa da altitude), ver os jogadores brasileiros correndo e mostrando vontade de ganhar certamente foi gratificante. Em condições normais, diríamos que o primeiro tempo do Brasil foi razoável, mesmo com os dois gols. Mas depois do jogo contra o Equador, a impressão que deu é de que a Seleção jogou bem. A marcação anulou o Peru, a bola balançou a rede duas vezes e o time mostrou maior lucidez. Pudemos, enfim, respirar aliviados. A tensão se desfez logo no início da partida, com o gol de penâlti do Brasil. O segundo gol acalmou de vez os ânimos, dissipando o medo de mais um fiasco da seleção de Dunga.

Agora restava o segundo tempo e a expectativa de mais gols. Afinal, uma goleada serviria para lavar de vez a alma do torcedor. O Brasil voltou sem alterações e a única orientação que Dunga deu ao time foi: “Vamos aumentar a velocidade!” O treinador queria que o time mostrasse a mesma disposição do começo da partida. Os jogadores até deram pinta de que iriam seguir à risca a orientação de Dunga, marcando forte até a saída de bola peruana, mas logo desaceleraram.

A esperança de uma goleada e show da Seleção Brasileira começava a enfraquecer. Depois de um chute bizonho de Felipe Melo, as primeiras vaias começaram a brotar das arquibancadas. Malandro, Dunga mandou Pato para o aquecimento, fazendo a torcida voltar a vibrar. Logo depois, Ronaldinho Gaúcho e Júlio Batista também começaram o aquecimento, mas Dunga só tinha direito a duas alterações. Alguém ia ficar de fora.

Enquanto os torcedores colorados aguardavam ansiosos por Pato (e os gremistas sonhavam com Ronaldinho Gaúcho), o Brasil tirava cada vez mais o pé do acelerador em campo. Luís Fabiano quase marcou em bela cabeçada aos 15 minutos, mas a torcida impaciente já começava a vaiar novamente – a Seleção diminuia o ritmo e Dunga demorava a mexer. Robinho começava a errar algumas jogadas, irritando ainda mais o torcedor.

Foi quando Felipe Melo surpreendeu e marcou o terceiro gol do Brasil. O criticado cabeça de área dividiu duro no meio de campo, avançou e tocou com categoria na saída de Butrón, fazendo Brasil 3×0 Peru. O jogador dedicou o gol a Jesus e rebateu as críticas: “Isso só me dá mais força para trabalhar duro”.

Dunga comemora o gol de Felipe Melo

Dunga comemora o gol de Felipe Melo


Mas nem o terceiro gol acendeu os ânimos dos jogadores e o time cochilou, permitindo que o Peru finalmente desse seu primeiro (e único) chute a gol. Aos 21 minutos Kaká perdeu bola no meio e Fano arriscou de muito longe. Júlio César estava adiantado e ainda se esticou para tocar na bola, que explodiu no travessão. Dunga rapidamente se movimentou no banco, mandando Alexandre Pato entrar no lugar de Robinho. Pato finalmente voltou a pisar no Beira Rio, gramado que o lançou para o mundo, aos 25 minutos do segundo tempo.

Dunga chamou Kaká na beira do campo e perguntou: “Como é que você está?”. A resposta foi imediata: “Estou me sentindo muito bem, quero continuar!”, contrariando o prognóstico de que teria que ser substituído. Em prol do espetáculo, Dunga foi contra seus princípios e tirou Elano, colocando Ronaldinho Gaúcho para atuar ao lado de Kaká. O ataque do Milan estava em campo, mas o treinador brasileiro deixou bem claro que Kaká e Ronaldinho Gaúcho juntos, só em raras exceções. Hoje, o jogo já estava ganho e era festa.

Com a partida caminhando para seu final, a única emoção que restava era a da expectativa de gremistas e colorados por um gol de Ronaldinho Gaúcho ou Pato, o que seria motivo de sarro no dia seguinte. Aos 40, a única chance de ambos. Kaká lançou Pato, que ficaria na cara do gol. Mas Butrón saiu e colocou a mão na bola fora da área. A chance que era de Pato, passou a ser de Ronaldinho Gaúcho após o juiz marcar a falta na meia lua da grande área. Ronaldinho tentou cobrar no contra pé do goleiro peruano, mas Butrón fez boa defesa.

E foi só até soar o apito final, decretando a vitória brasileira por 3×0 e mais 3 pontos na conta. Agora o Brasil volta a ocupar o segundo lugar na classificação com 21 pontos. O líder Paraguai tem 24. O Chile vem em terceiro com 20 e a Argentina caiu para quarto, depois do vexame contra a Bolívia (Bolívia 6×1 Argentina). Tem 19.


Comentários de Brasil 3×0 Peru

O Brasil venceu sem fazer esforço o Peru, mais por causa da fragilidade do adversário do que por apresentar um bom futebol. Pelo menos a equipe de Dunga cumpriu com sua obrigação de vencer o lanterna das eliminatórias e fez o dever de casa, ganhando os 3 pontos e voltando ao segundo lugar. Vale destacar a volta de Kaká, que hoje é o ponto de apoio desse time. Sem ele, o Brasil é outro em campo. Só pra se ter uma idéia, a média de gols da Seleção com Kaká em campo é de quase 2,5 por partida. Sem ele, cai para 1,5. Ele exerce uma liderança que faz falta ao time, se movimenta bem e comanda os companheiros. Elano foi outro que jogou bem, mostra muita disposição na Seleção e é um dos homens de confiança de Dunga, dificilmente perderá sua vaga no meio de campo, embora o Brasil pudesse jogar com ele fazendo papel de terceiro homem, tirando Felipe Melo ou Gilberto Silva, o que daria espaço para mais um jogador de criação. Assim o Brasil poderia até dar show, mas é fato que ficaria mais vulnerável contra seleções mais fortes. O esquema de Dunga é mais “feio”, mas adepto do esquema “competitivo” que Parreira instituiu anos atrás.

Elano é homem de confiança de Dunga

Elano é homem de confiança de Dunga


No ataque, Luís Fabiano reina soberano. Marcou mais dois, chegando a vice artilharia das eliminatórias com 6 gols. Joaquín Botero, da Bolívia, é o artilheiro com 8 gols (só ontem ele marcou 3 na goleada contra a Argentina). Mas o destaque fica para Daniel Alves, que foi responsável por duas assistências decisivas, uma para Kaká sofrer o pênalti do primeiro gol e a outra para Luís Fabiano marcar o segundo gol. Jogou muito bem, marcando e apoiando o tempo todo.

Já a defesa do Brasil teve o seu merecido descanso depois do sufoco em Quito. Júlio César praticou apenas uma defesa em toda a partida. Estava tão fácil, que Lúcio resolveu virar atacante no final, fazendo várias investidas no campo peruano. Miranda entrou no lugar de Luisão, que se contundiu. Não comprometeu, mas quase perdeu uma bola ridiculamente. Se recuperou e evitou a lambança. Kléber foi o pior, com atuação burocrática. Errou praticamente todos os cruzamentos que tentou. Gilberto Silva se limitou a desarmar os fracos peruanos e Felipe Melo caiu de vez nas graças de Dunga, marcando um gol de raça. Ficou mais difícil para Ramirez e Hernanes (o que na nossa opinião é uma lástima).

Robinho não foi tão bem, mas ainda tem a confiança de Dunga por conta de atuações anteriores onde foi o melhor do Brasil. Ainda tem vaga. Pato e Ronaldinho Gaúcho entraram só pra fazer festa, pois na prática não renderam absolutamente nada. Em defesa deles, vale dizer que o time já tinha tirado o pé do acelerador quando entraram.

O resumo é simples: o Brasil ganhou fácil, mas não empolgou. O adversário não ajudou, pois não representou nenhum desafio. A armação do Brasil com dois cabeças de área tanbém foi exagerada. Foi desnescessária para o jogo de hoje e dificultou ainda mais a missão de dar espetáculo. Acabamos sem muito parâmetro para os próximos jogos do Brasil nas eliminatórias, esses sim pedreiras: o Brasil pega o Uruguai lá e depois recebe o líder Paraguai, nos dias 6 e 9 de junho respectivamente. Serão duas rodadas decisivas, já que o Uruguai ocupa a quinta colocação e está na briga por uma das 4 vagas para a Copa do Mundo 2010. O Paraguai é líder, o que transforma a partida em jogo de 6 pontos.

FICHA TÉCNICA:
BRASIL 3 X 0 PERU

Estádio: Beira-Rio, Porto Alegre (RJ)
Data/hora: 1/4/2009 – 22h10 (de Brasília)
Árbitro: Sérgio Pezzotta (ARG)
Auxiliares: Gustavo Esquivel (ARG) e Diego Romero (ARG)
Renda/público: não disponível
Cartões amarelos: Solano e Butrón (PER)

GOLS: Luis Fabiano, 17’/1ºT (1-0); Luis Fabiano, 26’/1°T (2-0); Felipe Melo, 18’/2°T (3-0)

BRASIL: Julio César, Daniel Alves, Lúcio, Luisão (Miranda, 12’/1ºT) e Kleber; Gilberto Silva, Felipe Melo, Elano (Ronaldinho Gaúcho, 32’/2°T) e Kaká; Robinho (Alexandre Pato, 25’/2°T) e Luis Fabiano. Técnico: Dunga.

PERU: Butrón, Prado, Zambrano, Alberto Rodríguez e Vílchez; Solano (Carlos Fernandez, 24’/2°T), La Rosa, Rainer Torres e Ramírez (Alva, 34’/2°T); García (Sanchez, 17’/2°T) e Fano. Técnico: José Del Solar.

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